E tudo hoje desabou
27 de junho de 2012
Podia começar de uma maneira rude, ou convencional. Podia até, sem palavras, cuspir emoções com o olhar e deixar que alguém as entendesse. Conseguia dizer tudo mas no entanto, faltariam coisas que eu não consigo dizer. Para quê? Se nunca as direi na mesma? É verdade. Complica-se a rotina e estica-se a vontade à distância daquilo que não se consegue fazer. Eu não o consigo fazer. Mas hoje, aqui sentada, aqui outra vez, como em todos os outros hojes, eu tento que saia aquilo que eu quero que se leia. Mas não dá. É tão supérfluo o modo como sentimos que nem vemos como caprichamos o prazer de dizer aquilo que desejamos. Então estou, estou aqui, frustrada e acariciada pela luz que me dá vontade de dormir sem conseguir dizê-lo por inteiro. Só que hoje dormir é mau, hoje dormir é virtude, e eu só tenho sabido pecar. No entando podia, então, escrever tudo o que acho com todos os nomes e porquês que surgem na minha cabeça enquanto penso. Podia, até, complicar as palavras e vende-las a um preço exorbitante, de modo a que entender fosse complicado. Mas vou-me deixar de rasteiras, vou ser curta e sincera (porém nunca totalmente):
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