Maria
19 de junho de 2012
Vontade esta tão pouca que se torna, do nada, em algo tão imenso! Vontade esta que viola o que eu sou, e que incumbe o meu corpo até ao total desgaste, porque ele não suporta o que se passa no que eu sou e cede, lentamente, por entre as asas que não batem mais. Eu já não sei que desejos são estes, e a vontade é tão pouca que se tornou em tudo o que tenho. Veio do nada, e do nada o pior, veio para me proibir de sonhar, veio para me desfasar em partículas que, soltas por nenhures, são eu em todo o mais pequeno tamanho do que eu sou! Sou tão pouco meu amor, eu hoje sou tão pouco e quero tanto o que nasceu de tão pouco por ser o único que tenho! Tornei-me num pedaço fraco de nós, e queria tanto ser maior. Queria tanto arder nas cinzas das asas que queimaste, e fazê-las renascer, sem nunca saber o que vem depois. Tento travar o tempo, tento engolir o monstro, tento parar por dentro. Mas admito, eu não quero saber o que vem depois porque o depois é sempre a vontade, tão pouca que, do nada, tornou-se em algo tão imenso...
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