19 de julho de 2012

Dói-me quando te encosto ao ouvido e te ouço dizer que me amas. Dói porque amar-te não é o suficiente para estarmos juntos. Estranho a maneira como não tentas vir ao meu encontro, mas rapidamente encaro o facto de que não deves vir ao meu encontro. Já nem em sonhos te vejo, já nem nos lençóis do meu leito. Quando acordo esmoreço, quando adormeço estremeço. Tenho medo do que a noite me pode trazer, mas o que é certo é que ela nunca mais te trouxe até mim! De que pedaços são feitos os meus desejos? Eu já não sei. Já não me lembro da última vez que toquei no teu rosto, já não me lembro da última vez que te olhei nos olhos. No entanto, recordo as tuas palavras na mesa, a arderem sem parar. Recordo o fogo da tua vontade, e é ela que me está a queimar. É tu quereres tanto, que até me tiras a vontade. É tu tentares tanto, que fazes com que eu tente fugir de ti. E dói-me que me chames amor, que digas o que de mim é bom em ti, e que me faças jurar promessas que eu não vou cumprir, só para que não chores mais. Dói-me, porque eu hoje já percebi que sou criança, e tu já não estás lá para me adormecer.

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