Tira-me o céu e tira-me o chão
Eu perco-me na exuberância do que sou por não o ser de boa maneira, eu sei, já disse. Perdi os bons costumes e as bons ideais. Sou rude e hipócrita na minha fé e sede de destino.
Porém, embala-me um fado cuja melancolia ainda não me cobriu por completo mas está quase a cobrir. Esse fado que me dá asas à tristeza, e que me aquece às vezes. Perdi os bons costumes e já não sei onde meti a educação moral. Porque eu não sei o que é a moral mas ela foi-me incutida de tal maneira que eu sei que a tenho seja como for. E tendo a moral, eu devia saber o que dizer, fazer, prever.
Mas tudo me apanhou nua, de surpresa, e entranhou-se nas minhas vísceras, que ardem como o fogo que acendeste em mim e que espalham as cinzas que tu tentaste limpar mas não conseguiste totalmente.
Tira-me tudo, só assim saberei o que fazer
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