29 de agosto de 2012
É só disto que eu preciso. Quero saber do nada e do que ele é feito, de cada partícula que o torna inteiro e tão vazio. Quero gritar. Empurrar as paredes. Entrar em paranóia! Quero todo o nada de que isto é feito. Quero as lacunas, os cantos das ruas, os becos sem saída, o mar sem fim, os grãos d'areia contados. Quero nada e desejo nada para todo o mundo porque nada é o que mais me importa agora! É olhar para as pessoas e não ver nada nelas, é elas falarem para mim e eu não ouvir nada e sentir muito menos! É sonhar e desejar nada e chorar por nada! É estar bem por nada e dizer que não se passa nada. Eu importo-me com nada, nada me magoa! Nada me rompe a vontade de dormir, nada rompe o meu coração, nada queima as minhas vísceras. Nada me torna singela, nada me torna louca! Nada manda em mim e Deus é nada! Não há já mais o vacilar do que eu sinto porque eu sinto nada. E sou nada. E penso em nada. E espero que do nada me faça alguém. Porque quando alguém é nada, alguém tem tudo! E tudo é uma utopia, ou uma concretização perigosa. E eu não quero perigos, eu quero nada, eu quero ser alguém do nada que sou. E duma maneira difícil ser eficazmente completa! Porque eu serei completa, mesmo que isso signifique ser vazia!
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