23 de agosto de 2012

Quando as tarefas são cumpridas com destreza e com vontade não cansa o sossego fazê-lo, e dá-nos sempre um prazer mórbido em dar-lhes atividade. Porém, um poeta também se cansa de escrever. Um poeta também se perde entre mil e um textos que já escreveu e pode, além disso, sentir que já disse tudo o que, por momentos, teria para dizer. Tal se sucede comigo. Apaixonei-me e sou uma criança outra vez que já perdeu a facilidade à escrita. Porque eu já não quero a tristeza partilhada com a inspiração. E porque sinto que tudo o que possa dizer neste momento não valha o que a minha cabeça consegue atingir em pura solidão e meditação. É cruel, este poder é cruel, mas já desisti há muito tempo de lutar contra ele.

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