1 de agosto de 2012

Sim, sou eu o arquitecto do meu terror. Sou eu que construo os pesadelos em que me envolvo e sou eu que luto para fugir deles. Cada vulto, cada minucioso pormenor de cada rosto que me observa sou eu que desenho. Caveiras! Estou rodeada de caveiras! Todas elas me olham com o olhar que nunca conseguiram ter antes de mortas. Arrepiam e tornam medonho o modo como eu caminho para acordar. Mas como é que me custa tanto se fui eu que construí isto? ISTO, partícula vazia, lacuna, terror na minha alma!
Há quem se forme em artes, literaturas, há quem julgue até escrever bem, há quem cante, há quem não faça nada, eu sou arquitecto do meu próprio terror! Como? Com que cabimento acabo com a minha lucidez sempre que me deito e ultrapasso barreiras que eu nunca soube que tinha, para o outro lado, lado esse dos meus maiores medos? Não, não posso mais! Não posso mais olhar e ver-te com ódio a transbordar pela tua boca. És uma caveira e dantes eras o meu mar sujo de bons sinais! Não consigo mais ouvir-te a chutar o que foi construído para nós! Porque tudo o que temos é para nós! E tu és uma caveira! Tu odeias-me, porque eu sou o arquitecto do meu terror e tu tornaste-te o meu desastre. O desastre que nasceu e cresceu como eu, mas que pensa da maneira mais distante da minha. Deixa-me gritar, não te consigo ver mais à minha frente. Sai caveira! Vai-te para onde o meu pesadelo levar!

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