8 de setembro de 2012

Começa agora a cair o frio em mim. Se é doença ou não eu não sei mas com ele vem uma densa melancolia que me abriga por completo e me faz atenuar o ritmo cardíaco. Acalmo, descanso, durmo horas seguidas e educo o monstro que tão severo estava há uns dias atrás. Parece que me encanta todo o cenário que reveste a minha rua. Tons tão cinzentos que quase se emergem pelo céu e luzes tão quentes que ardem de uma maneira cada vez mais insuportável, porque hoje estou insuportável e não sei porquê, mas gosto. É como se o meu corpo ressacasse o orvalho da matina a invadir o que somos e o quão só vivemos, e quisesse que este fim de tarde se oculta-se de uma vez por todas.
Lentamente esta melancolia sofre metamorfose e assume-se tristeza. Eu sabia que ela era tristeza, mas faltava-me isto para ela se acusar... E já está. Estou entre eu e mim mesma escrevendo o que já não escrevia há muito tempo mas que nunca escapa à minha libertinagem: estou triste e só. E vivo bem assim.

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