Quero-te. Por tudo.
14 de setembro de 2012
Estamos aqui meu amor. Sós e submersos em sentimentos que recolhem as maldades que a noite e a solitude praticaram em nós. Delicio-me com o que cravejaste em meus ouvidos, relembro e rapidamente ouço sussurrarem-me todas as palavras, uma a uma na minha mente, minuciosamente, que tu solfejaste como se fosse uma cantiga decorada que tivesses na tua alma. É tão bom a partilha que há entre o nosso leito de amor e o céu, é tão denso e ao mesmo tempo tão leve, é quase tão idêntico e ao mesmo tempo tão distante pela linha que nós construímos entre eles e que é só nossa... Há uma conexão entre ambos, e só nós a conhecemos como conhecemos os ramos dos nossos corpos fundidos num só. Porque a nossa cumplicidade permitiu-nos guardar o que nunca foi dito mas que ficou bem compreendido, e nós compreendemos o cosmos como se todo ele fosse nosso. Eu sei meu amor, nunca mo disseste, mas eu vejo nos teus espelhos. E agora ouvi-te "Eu vou-te dar o Cosmos", e parece que as lágrimas deslizam pela minha pálida face novamente. Andamos durante tanto tempo às voltas na mesma rua, sem nunca perceber que a casa, o abrigo, o acolhimento que procurávamos, era comum a ambos. E agora que o encontramos, rotulamos e atribuímos ao que somos algo exclusivo, porque nunca ninguém viverá algo assim.
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