Foste embora na sombra da dor que te colaram à alma. Quebraste os vidros da janela e nem quiseste abrir a porta para sair, sempre gostaste de ser dramática e de encher da raiva que sentes o cenário que te rodeia. És débil, mas escondes isso a toda a hora. Achas-te possuidora de um dom que transcende a força da terra e quando te olhas ao espelho sabes que todas as raparigas iriam gostar de ser como tu. Mas és débil, nunca fraca, só débil... Ou o monstro de ti mesma.
Já não te vejo há alguns dias. Por vezes, à noite, procuro por ti em cada esquina das paredes do meu quarto e torturo a pele para te despertar, porque é a torturar que se acorda o monstro. Mas tu nunca mais voltaste. Agora, quando te perguntam se é aqui que queres estar, respondes que sim. Mas sabes que na tua intimidade o sítio onde queres estar é outro, que tu já inventaste há muitos anos atrás. Agora, quando te perguntam se estás bem, respondes que sim. Porém, dentro de ti há uma melancolia que transborda até à beira da tua alma. Só que nunca chegas a pedir socorro, porque detestas pedir socorro.
Estás deprimida. Ou és. Mas ninguém o sabe porque ninguém o precisa de saber. Tens uns pais que te dão tudo o que precisas, tens amor nos teus lençóis sempre que te apetece, tens o mar a poucos quilómetros de casa, chove no Inverno no sítio onde vives, e está calor no Verão. É a ordem natural, celestial e submissa que vive onde tu vives. E é ela que te faz sofrer. Toda essa naturalidade que te deprime, e que te faz odiar tanto, tanto, mas tanto as pessoas que te rodeiam. E é por ela estar tão perto de ti.
Hoje, 4 de Dezembro de 2012, nasceu alguém em mim. Apresenta-te.
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