28 de dezembro de 2012

Hoje pisei o nosso chão e com ele pensei em nós. Pequenas e eternas, presentes e dispersas... Uma da outra. Eu já não sei quem és. Quando te olho, monstros me tomam a vontade de te matar. Quando te penso, lágrimas me conseguem dominar. Ruiu tudo o que construímos e connosco levamos os passos mais virgens da nossa vida, fomos além do que algum dia pensávamos ir, e agora odeio-te porque és a pessoa mais detestável que alguma vez me dei ao trabalho de amar. Ninguém sabe o quão fundo foi a faca, mas eu digo-te, perfurou o Universo e rasgou-me veia a veia. O nosso Universo. Que demorou 12 anos a ser construído. E 3 meses a ser desfeito. Se fomos capazes disto, seremos sempre capazes de tudo. Mas por ti, eu já não quero ser capaz de nada. Foste boa, mas hoje és uma jarra no canto da sala, com a flor mais antiga do meu jardim, que murchou. Jaz com ela tudo o que fomos, e o que somos, seres mortos e desidratados, queimados por nicotina e insaciados de ansiedade. Não somos nada se não isso, emoções quebradas em vícios passados que se mantiveram até agora, e que agora são só vícios... E emoções.
Fomos a derrota.
Nunca mais seremos nada.


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