25 de janeiro de 2013

Quase que te ouço gritar no coma em que me auto induzi. A tristeza bate à porta e o que se abre de mim a ela são as minhas mãos, porque vou escrever. Escrever sobre como me agonia ouvir-te gritar no canto do quarto frio que te torna tão amargo, tão débil, longiquamente perdido de mim. Mas tu já não interessas.
Cai-me a sanção em cima e agora quem grita rigidamente sou eu. Que irritação! Nunca fui dada ao ódio e cheguei ao canto do meu livro em que odeio tanta alma perdida... E a hipocrisia é tão grande que me apetece dizer a todo o mundo como Deus é tão nada há tanto tempo! Quem sóis vós que credes no poder da voz perene quando ela nunca chegou a nascer? E vos entregais às ruínas das palavras de um livro que foi escrito por seres tão ou mais inúteis do que eu! Que horror, sóis horrorosos e repugnais-me, de uma maneira tão exorbitante que me sinto obrigada a reclamar para vos mates! Porque viver assim é quase que o suicídio inconsciente e premeditado, e quem se quer matar dar-se-ia ao menos ao luxo de morrer sem crenças dessas. Porque elas não servem de nada, elas não nos matam o sofrimento. Elas não nos elevam até aos céus nem nos alucinam. Crenças são o castigo dos ignorantes, e de que modo perene eles se envolvem nelas. Coitados de vós! Que me irritais tanto.

alma nova que nascestes em mim

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