30 de julho de 2013

Receio ter ganho algum medo à escrita. Ao poder que de mim emanava e que controlava cada pensamento e cada gesto meu. Como se o que escrevo fosse mais forte do que penso, e que a base do meu pensamento fosse, então, a minha escrita. Mas não verdade acho que não é só isso. Acho que a simplicidade em que me transformei nos tempos que correram modificaram os meus hábitos rotineiros, a minha maneira de ver o mundo quando acordo e de o temer quando adormeço. O meu leito esvaziou-se das pessoas que ramificavam a minha vida, ou seja, estou cada vez mais sozinha. O meu futuro está cada vez mais próximo e eu cada vez mais longe de o suportar sozinha. O que, estando cada vez mais sozinha, se torna mais difícil. Temo estar a perder o sentido do meu ser face aquilo que outrora fora: jovem e inconsciente de todo o bem, ciente do mal e crente em tudo menos em Deus. Não sei se é a idade, ou se é só uma farsa minha achando que já me estou a tornar numa mulher. Mas na verdade, tudo se está a desmoronar e eu cada vez mais não me encontro em mim mesma. Ou, na verdade, em mim mesma encontrei outro eu. Não sei se este impulso mudará alguma coisa, mas a verdade é que ainda me estou a tentar compreender. A verdade é que ainda estou a tentar perceber quem é esse ser que nasceu em mim há uns tempos. Desde então me tenho visto fechada entre mim e mim mesma, tentando perceber quem é que eu sou, ou melhor, em que é que me tornei.

Maria

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