Se amar é ouvir então ouvir é o sofrimento silencioso e inibido de funcionalidades, que enfraquecem o corpo e que fazem a cabeça latejar horas sem fim. E não há vontade de ouvir, porque quem ama ouve e por amar não demonstra todo o sofrimento que o acolhe. Mas tem de ouvir, embora não o queira. Porque ninguém quer sofrer o mal de ter medo de falar, de dizer que não está bem, que não está feliz. Então é mais fácil ocultar o sacrilégio do que o cumprir em total transparência. Ser transparente é estar morto na mente. E não ter vergonha de o demonstrar é litigioso. E a sentença pode ser perigosa e caluniosa.
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