11 de novembro de 2012

Ainda só é uma e vinte da manhã e já ninguém acompanha a minha insónia senão um cansaço tão forte que me desassossega e desenlaça a calma. Há quanto tempo já não tinha um encontro com a noite deste modo? Sinto-me a voltar aos tempos em que o papel era um corredor de hotel, e eu e a caneta dois amantes a encontrarem-se secreta e intimamente lá. Porque é aqui que eu me encontro e faço juras de amor imortal, e choro vezes sem fim quem me faz mal. E talvez esta ansiedade seja a minha cabeça a esgotar a capacidade de suportar a linha de distância que se tem feito render entre mim e a poesia...
Já não me falava há algo tempo. E hoje tive uma longa conversa comigo mesma. No entanto há um sentimento que se mantém perene e que se cruza sempre comigo nestas noites. O medo que eu tenho da solidão. Quão aguda e perversa é a dor de estar só que me aterroriza e me faz sentir uma imensidade de sentimentos anónimos a invadirem e a penetrarem o meu sexo com a agressividade de um mundo. Deus! Tu não estás vivo mas és um encenador que sabe dominar o mundo. Como me tentas penetrar! Violar o que sou! Mas eu não tenho medo de ti. Tenho sim é medo da solidão! E como ela era tanto minha amiga e agora se converteu no meu maior perigo. É verdade. Eu sei. Tens razão. Mas não vais entrar em mim. Sai.

Choro de medo.
Ninguém me responde.
Não consigo dormir.
Hoje preciso de alguém.
Mas ninguém está aqui.
No entendo tu estás sempre aqui.
E eu não me devia esquecer tantas vezes disso.
Socorro.

Carmo

Sem comentários:

Enviar um comentário