Já não me falava há algo tempo. E hoje tive uma longa conversa comigo mesma. No entanto há um sentimento que se mantém perene e que se cruza sempre comigo nestas noites. O medo que eu tenho da solidão. Quão aguda e perversa é a dor de estar só que me aterroriza e me faz sentir uma imensidade de sentimentos anónimos a invadirem e a penetrarem o meu sexo com a agressividade de um mundo. Deus! Tu não estás vivo mas és um encenador que sabe dominar o mundo. Como me tentas penetrar! Violar o que sou! Mas eu não tenho medo de ti. Tenho sim é medo da solidão! E como ela era tanto minha amiga e agora se converteu no meu maior perigo. É verdade. Eu sei. Tens razão. Mas não vais entrar em mim. Sai.
Choro de medo.
Ninguém me responde.
Não consigo dormir.
Hoje preciso de alguém.
Mas ninguém está aqui.
No entendo tu estás sempre aqui.
E eu não me devia esquecer tantas vezes disso.
Socorro.
Carmo
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