18 de novembro de 2012

E agora, minuto a minuto, a noite cai e o tempo muda-se para o tempo em que conciliamos o leito do nosso amor, o conquistar do coração de cada um. Não tenho saudades. Não choro o dia em que te amei até ao mais fundo pedaço do meu ser, mas choro a maneira como perdi o que foi o testemunho da minha alma, a prova mais alta de que eu merecia ganhar o Mundo e fazê-lo vibrar por cada sorriso teu. Agora, muda o tempo e há uma retrospectiva brusca feita na minha cabeça. Cada pedaço desta folha são memórias e consequências do meu amor por ti e questiono-me vezes sem fim, foram eles suficientes para me fazerem feliz? Será que precisei assim tanto de ti ao ponto de seres tão monstruoso hoje em mim? Será que, se de facto eles me eram tão importantes, lhes dei o digno valor? Divindade suprema do meu sofrer! É o que tu és nos dias que correm, nos dias fulminantes em que o amor não me aquece e só me arrefece. Mentes por ti mesmo e fazes-me mentir a mim mesma, nesta cama onde jaze toda a minha capacidade de amar. Porque ela mantêm-se inerente ao que eu sou, porém nunca mais foi a mesma. A minha capacidade de amar hoje é um cubo de gelo que ainda não derreteu e eu, errante e desfeita, vagueio por entre cada rua da minha terra esperando que ele se desfaça em água. Pois só aí é que o dia de amanhã não me irá fazer tremer.

Eva

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