Ninguém consegue ver quão boa é a morte, e como eu a desejo do fundo do seu poço negro e lamacento, no qual se afogam as pessoas que nunca mais retornaram. Eu queria nunca mais retornar. Cegar a minha fúria e queimar a minha dor, para depois subir até lá em cima e deixar de querer tanto isto. Porque eu só paro de viver angustiada quando a minha angústia se transforma num estado de vida que consegui alcançar. Porque eu só me acalmo quando consigo, e eu já não consigo ser ninguém. Nem consigo fingir, o que me debilita mais até ao ponto microscópico do meu fracasso, do meu ser fracassado.
Por isso, gostava de vergar o meu corpo para dentro do poço e, lentamente, deixar-me cair, para ser alguém irretornável, para a minha angústia sucumbir o meu corpo ao estado mais alto de meditação. Para não ter de forçar a capa que envolve a minha face, mostrando a vontade que eu não tenho, de continuar vivendo aqui.
Carmo
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